Compreensão da Individualidade

10 10America/Sao_Paulo outubro 10America/Sao_Paulo 2019 0 comments Jayadvaita Categories Artigos

Compreensão da Individualidade

Equanimidade é a grande conquista que um praticante de yoga deve almejar. É a partir da equanimidade que se adquire todas as demais habilidades e competências através do yoga, pois nisto reside a aceitação de derrota ou vitória sem se afetar.

Caso se altere emocionante frente às situações passageiras da vida, mesmo que tais situações sejam meras impressões sensoriais ou perceptivas, não haverá estabilidade e como consequência – por mais habilidoso que alguém possa ser – ao perder sua estabilidade ou equanimidade, tudo se dará por errado. 

Por isto, a equanimidade é o principal pilar de sustentação do desenvolvimento da consciência individual. 

Quando estamos identificados com a realidade que é percebida pelos sentidos, confundimos o real com a ideia que temos sobre a realidade. Nunca que a realidade vista é a realidade mesma em si. Muito do que acreditamos é apenas uma impressão que temos sobre algo ou alguém. O mesmo ocorre com nossos pensamentos. Quantos deles constatamos no que vivemos? Nisto reside um sério problema, pois se acredita demasiadamente nos pensamentos mais que na realidade sensível do mundo. Disto resulta todos os condicionamentos mais comuns da sociedade moderna: o isolamento, o individualismo, o solipsismo. Condicionados, preferimos o mundo como imaginamos em vez de como ele é. Grande parte dos transtornos vividos tem sua origem nestes labirintos lógicos.

E esta confusão que fazemos sobre a realidade apenas dificulta ainda mais o nosso processo de desenvolvimento da identidade individual. É comum modelarmos nosso perfil de personalidade na imagem que extraímos de pessoas que admiramos, sem considerar que conhecemos sobre ela apenas uma superfície rasa que fomenta ainda mais a impressão perceptiva que possamos ter. Jamais adentraremos o mundo do outro, nem mesmo de um objeto ou ideia. Ainda assim, boa parcela do mundo ronda por vias de uma realidade ideal, programando felicidade ou paz como produto de impressões perceptivas.

É somente na individualidade do nosso ser que se torna possível a experiência com o real. Pois é a partir desta experiência com o real que passamos a entender o que é o eu, o que é a matéria e qual é a causa e finalidade da vida.

Sem adentrar o mais silencioso estado de individualidade que nos habita, não teremos verdadeira experiência com a realidade. É nela que veremos nossas fraquezas, forças, virtudes e soberba que sufocam docemente nossas expectativas. 

A individualidade é um fenômeno pela qual a alma passa, um estágio de autoconsciência necessário para que possamos medir nossos passar na direção desejada. É na individualidade que se cruzam os eixos de ser e estar. É na individualidade do ser onde compreendemos que antes mesmo de pensarmos, nós somos. Na prática meditativa do yoga, este é o canal pelo qual devemos iniciar o processo.

Então, como podemos praticar e conquistar a equanimidade e compreender nossa individualidade?

Não há fórmulas secreta nem mágicas elaboradas. Simplesmente sente-se, silencie o barulho mental e foque em sua respiração – siga o que foi descrito no artigo anterior e apenas observe sua individualidade, procurando não se identificar com as dualidades que invadem sua mente e seu campo de percepção, sabendo distinguir o vir e ir delas, as dosagens de bom e mau, de prazer e insatisfação que povoam a percepção… apenas esteja no ato de se observar sem se identificar.

Deste exercício disciplinar diário, em poucos dias terá a percepção clara da realidade sem impressões sobre sua individualidade.

Seja, e então, pense nisso.

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