Aquisição de Humildade

26 26America/Sao_Paulo agosto 26America/Sao_Paulo 2020 0 comments Jayadvaita Categories ArtigosTags ,

A vida tem momentos altos e momentos baixos, dependendo de onde observamos.

 

Entender que todas as situações e experiências que passamos na vida são para nosso próprio desenvolvimento é um passo significativo na jornada pessoal pelo yoga. Naturalmente esta capacidade de extrair aprendizado nas experiências da vida não significa conformismo, ou aceitação superficial das condições. Este é o processo pelo qual aprimoramos a essência do saber amar. Por sua vez, desenvolver o amor genuíno depende diretamente da conquista de humildade. A humildade é a chave para o amor e o caminho para a devoção ao Supremo.

A maneira como vivemos está diretamente ligada aos pilares que sustentam nossos valores e propósitos na vida. Se ignoramos o real que nos constitui como seres individuais espirituais, muito provavelmente seremos fisgados pela identificação estabelecida com os objetos fenomenais da percepção ou observação.

Isto significa que, devido à ignorância, confundimos a realidade do que percebemos com o real fator que nos faz perceber algo. Em outras palavras, há uma completa distinção entre o observador e o objeto da observação.

É muito comum ouvirmos ou lermos sobre a máxima realização como sendo o observador se tornar aquilo eu ele observa – o que é uma grande falácia. Por outro lado, toda e qualquer observação estabelece um fenômeno de identificação onde pode se estabelece um subjetivismo egóico e, consequente apego versus aversão. Disto, se desdobrarão todas as formas de sofrimento ao sujeito identificado com a ilusão de seu campo fenomenal.

O meio para se sair desta condição ilusória será pelo conhecimento que eliminará a falsa identificação através do discernimento. Discernir entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre a ação e inação. No Yoga-sutra (2.21) está descrito que a finalidade da realidade fenomenal percebida existe unicamente para o aprimoramento espiritual do ser. Do mesmo modo, na Bhagavad-gita (10.8) se descreve que toda a criação emana do Ser Supremo e que sábios, dotados do conhecimento transcendental, se dedicam à interação recíproca com o Supremo, através da própria realidade manifesta – tanto a nível material quanto espiritual.

Isto significa que o yogi deve ocupar todas as condições que se apresentam à sua consciência como instrumentos de seu aprimoramento.

Ora, dissemos acima que há uma distinção entre este conceito e o conformismo. Naturalmente, o modo de agir de forma a não nos condicionarmos pela identificação e nem nos afligirmos pela soberba, por não aceitamos determinadas condições da vida, será através do desenvolvimento da humildade.

Na Bhagavad-gita (13.8) temos que a humildade é um dos principais elementos que compõem o conhecimento transcendental, ou seja, acessar o conhecimento requer humildade e exercer este conhecimento também exigirá humidade. Como consequência se desenvolverá uma forte capacidade de se manter humilde frente a todas as dificuldades, insultos ou humilhação. Logo, humildade é a arte que se distingue do conformismo, da revolta ou do ressentimento.

Por este motivo, podemos considerar a humildade como instrumento chave no processo de Yoga.