A tradição filosófica da Pratyabhijñā, um dos ápices do pensamento não dual da Kashemira, parte de uma premissa radical: a plenitude da consciência não é algo a ser adquirido, mas reconhecido. O ser humano não sofre por ausência de potencial, mas pela identificação com formas limitadas através das quais esse potencial se expressa.
Entre a liberdade inerente da consciência e a experiência concreta da vida existe um processo de contração (saṅkoca), pelo qual a consciência infinita passa a perceber-se como um indivíduo particular, dotado de uma história, identidade, crenças, desejos, medos e condicionamentos. Essas estruturas não são erros; são modos legítimos de organização da experiência. Contudo, quando permanecem inconscientes, tornam-se filtros que limitam a expressão da inteligência, da criatividade, da realização e do propósito.
A Mentoria Metacognitiva foi concebida precisamente para investigar esses filtros.
Utilizando o mapa natal da Astrologia Védica (Jyotish) como representação simbólica da organização inicial da experiência individual, o processo busca identificar quais funções da consciência se tornaram centrais na construção da identidade, quais polaridades estruturam seus conflitos recorrentes e quais campos de contração influenciam sua forma de pensar, sentir, agir, relacionar-se e atribuir significado à existência.
A metodologia integra Jyotiṣa, filosofia da Pratyabhijñā, metacognição, fenomenologia contemplativa e práticas de auto-observação em um processo sistemático de investigação interior. Em vez de fornecer respostas prontas, ela conduz o indivíduo a um processo de discernimento progressivo (sattarka), por meio do qual padrões antes automáticos tornam-se objetos de observação consciente.
À medida que esse processo se aprofunda, emerge o que a tradição denomina vimarśa: a capacidade da consciência refletir sobre suas próprias estruturas operacionais. O indivíduo passa a reconhecer não apenas seus comportamentos e emoções, mas os mecanismos mais profundos que organizam sua experiência.
Esse reconhecimento culmina em momentos de pratyabhijñā — o reconhecimento direto da coerência subjacente à própria existência. Nesse estágio, decisões, relacionamentos, vocação, espiritualidade e propósito deixam de ser percebidos como elementos desconectados e passam a integrar uma mesma arquitetura de sentido.
O objetivo da mentoria é favorecer uma relação mais lúcida com as estruturas que já organizam a experiência. O resultado é a independência de métodos, crenças ou interpretações externas, e o desenvolvimento de uma autonomia fundamentada na clareza, na presença e no reconhecimento progressivo do próprio centro de consciência.
Orientação da Mentoria
Desenvolvimento Humano
A Mentoria é um processo orientado pelo reconhecimento da consciência. Seu objetivo é investigar como a experiência individual é estruturada e quais padrões condicionam a forma de perceber, interpretar e responder à vida. Por meio de investigação discernitiva, autorreflexão consciente e reconhecimento da própria natureza, o participante desenvolve maior clareza sobre os mecanismos que sustentam seus desafios, talentos, escolhas e propósito existencial. - que resulta em recuperar sua liberdade fundamental (svātantrya).
Fundamentos da Mentoria
A Mentoria Metacognitiva é um modelo integrativo que alinha o desenvolvimento cognitivo, emocional e espiritual para promover expansão da consciência, autoconhecimento e excelência no desempenho pessoal e profissional. Sua estrutura se baseia na ativação das potencialidades cognitivas e no refinamento da percepção por meio de astrologia védica, sattarka e técnicas ancestrais do yoga, que harmonizam as dimensões do corpo, mente e campo vibracional.
A metodologia fundamenta-se na correlação entre fenomenologia contemplativa, psicologia profunda, filosofia da linguagem e teoria da percepção, adotando uma abordagem sistêmica que contempla as seguintes perspectivas:
Consciência, Reconhecimento e Organização da Experiência
A tradição da Pratyabhijñā, desenvolvida no contexto do Shivaísmo da Kashemira, parte de um princípio fundamental: a consciência não é um observador passivo que recebe um mundo previamente dado. Toda experiência surge como manifestação de uma dinâmica mais profunda na qual a própria consciência ilumina e reconhece aquilo que aparece em seu campo de percepção.
Sob essa perspectiva, perceber significa participar continuamente da construção de um campo de experiência organizado por estruturas específicas de significado, identidade, percepção e ação. Cada indivíduo experiencia o mundo através de padrões particulares de organização da consciência, que condicionam a forma como interpreta eventos, estabelece relações, toma decisões e atribui sentido à própria existência.
Na prática da mentoria metacognitiva, essa compreensão possui implicações metodológicas diretas. Quando a experiência é organizada predominantemente por padrões rígidos de identificação — crenças não examinadas, reações recorrentes, conflitos existenciais persistentes ou formas cristalizadas de interpretar a realidade — a consciência tende a reproduzir continuamente os mesmos modos de percepção e resposta. O resultado é a repetição de uma determinada forma de experienciar a vida.
O propósito da mentoria será de tornar as experiências progressivamente conscientes. Utilizando o mapa natal como uma cartografia simbólica da organização da experiência, o processo investiga os padrões que estruturam a percepção, os campos de tensão que orientam as escolhas e as formas de contração (saṅkoca) que limitam a expressão mais autêntica da consciência.
Por meio da investigação reflexiva (sattarka), o participante é conduzido a examinar diretamente sua própria experiência, desenvolvendo uma compreensão mais clara dos mecanismos que sustentam sua forma habitual de perceber, sentir e agir. Esse processo favorece o surgimento do vimarśa — a capacidade da consciência reconhecer conscientemente os padrões através dos quais opera.
A mentoria busca criar as condições para um processo de reconhecimento (pratyabhijñā), no qual a pessoa passa a perceber com maior clareza a organização da própria experiência e a alinhar suas decisões, relações e propósito com uma expressão mais coerente de seu svadharma.
Nesse contexto, conhecer significa reconhecer progressivamente as estruturas através das quais a consciência se manifesta e experiencia a realidade. É desse reconhecimento que emergem maior liberdade, discernimento e coerência existencial.
Psicologia e Expansão da Consciência
Ao investigar os limites dos modelos psicológicos tradicionais, Abraham Maslow observou que a experiência humana não se restringia à satisfação de necessidades ou à adaptação comportamental. Em seus estudos sobre as chamadas peak experiences, identificou momentos de profunda clareza, integração e significado, nos quais os referenciais habituais da identidade parecem temporariamente perder centralidade, revelando uma percepção mais ampla da experiência.
Posteriormente, Ken Wilber buscou organizar essas observações em uma estrutura teórica abrangente, propondo modelos capazes de descrever diferentes formas pelas quais os indivíduos interpretam a si mesmos, aos outros e ao mundo. Sua contribuição permitiu compreender que a experiência humana pode ser analisada a partir de múltiplas perspectivas e níveis de organização, cada um associado a formas específicas de percepção, significado e construção identitária.
Na perspectiva da Mentoria Metacognitiva, essas contribuições são valorizadas como importantes tentativas contemporâneas de compreender a complexidade da experiência consciente. Entretanto, o foco do trabalho não está na busca de estados excepcionais nem na progressão por estágios de desenvolvimento. O interesse central recai sobre o reconhecimento dos padrões através dos quais a consciência organiza sua própria experiência.
Assim, em vez de perguntar "como expandir a consciência", investigamos "como a experiência está sendo organizada neste momento". Em vez de buscar uma identidade mais evoluída, procuramos compreender as estruturas, tensões e identificações que sustentam a identidade atual. Esse deslocamento conduz a um processo de investigação reflexiva (tarka) que favorece o reconhecimento progressivo (pratyabhijñā) da própria dinâmica da consciência, permitindo maior coerência, clareza e alinhamento com o svadharma.
Linguagem, Identidade e Reconhecimento
Ludwig Wittgenstein afirmou que os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo. Sob a perspectiva da filosofia da linguagem, essa afirmação revela que a linguagem não é apenas um instrumento de descrição da realidade, mas um dos meios através dos quais a experiência se torna inteligível para o indivíduo.
Entretanto, a partir da abordagem Pratyabhijñā, a questão fundamental não é apenas como a linguagem descreve o mundo, mas como ela expressa e estabiliza determinadas formas de organização da consciência. As narrativas que uma pessoa sustenta sobre si mesma refletem padrões mais profundos de percepção, interpretação, identificação e atribuição de significado.
Toda afirmação recorrente sobre quem se é, sobre o que é possível ou impossível, sobre aquilo que se merece ou se teme, revela modos específicos pelos quais a consciência organiza sua experiência. A linguagem torna-se, assim, uma janela privilegiada para observar os mecanismos através dos quais a identidade se constitui e se mantém.
Na mentoria, o trabalho consiste em investigar as estruturas subjacentes que tornam determinadas narrativas plausíveis e recorrentes. Por meio de um processo de investigação reflexiva (sattarka), examinamos os pressupostos, crenças implícitas e formas de identificação presentes nos enunciados que organizam a experiência cotidiana.
Expressões como "sempre fui assim", "não sou capaz", "isso não é para mim" ou mesmo "é assim que eu sou" são compreendidas como indicadores de padrões mais profundos de contração da consciência (saṅkoca), que delimitam o campo das possibilidades percebidas pelo indivíduo (e não meras crenças limitantes).
A investigação desses enunciados permite revelar a função que desempenham na manutenção de uma determinada estrutura identitária. Quando esses mecanismos tornam-se conscientes, surge a possibilidade de um reconhecimento mais profundo (vimarśa): a percepção de que a identidade narrada não esgota aquilo que somos.
Nesse contexto, a linguagem torna-se um instrumento de autoinvestigação. O propósito é reconhecer as estruturas através das quais a experiência vem sendo organizada. Esse processo favorece maior liberdade de percepção, maior coerência existencial e uma aproximação progressiva do próprio svadharma — a expressão autêntica da consciência na vida concreta.
Consciência, Experiência e Reconhecimento
A tradição da Pratyabhijñā parte de uma questão fundamental: a experiência humana não é um acesso direto à realidade em sua totalidade, mas o resultado de uma organização específica da consciência. Aquilo que percebemos, pensamos, sentimos e interpretamos não corresponde simplesmente ao que é, mas à forma como a consciência se manifesta através de determinados modos de percepção, discriminação e identificação.
Nesse sentido, a experiência individual pode ser compreendida como uma configuração dinâmica de funções da consciência. Cada pessoa habita um horizonte particular de significados, tendências cognitivas, sensibilidades afetivas e estruturas de interpretação que condicionam a maneira pela qual a realidade é vivida e compreendida.
Curiosamente, algumas das mais avançadas investigações contemporâneas sobre cognição convergem parcialmente com essa perspectiva. Donald Hoffman propõe que a percepção não evoluiu para representar a realidade objetiva, mas para construir interfaces funcionais que orientam a ação e a adaptação. Da mesma forma, Joscha Bach sugere que aquilo que chamamos de identidade é um modelo produzido pelo próprio sistema cognitivo para organizar a experiência e sustentar uma sensação coerente de agência.
Embora partam de pressupostos distintos, essas abordagens apontam para uma conclusão importante: a experiência humana não é uma representação transparente do real, mas uma construção organizada segundo determinadas estruturas e limitações.
A Mentoria Metacognitva utiliza essa compreensão como ponto de partida. O objetivo é investigar os padrões através dos quais a consciência organiza a experiência individual.
Através do processo de investigação reflexiva (sattarka), essas estruturas tornam-se progressivamente conscientes. O que antes operava de forma implícita passa a ser reconhecido de maneira explícita. Esse movimento de reconhecimento (vimarśa) busca ampliar a compreensão sobre os mecanismos que sustentam a experiência de ser alguém.
Sob essa perspectiva, o desenvolvimento da consciência consiste em reconhecer, com crescente clareza, as estruturas através das quais a consciência se manifesta, permitindo uma relação mais livre, coerente e autêntica com a própria experiência.
A integração entre Jyotiṣa, investigação fenomenológica e reconhecimento consciente oferece, assim, uma abordagem singular para o autoconhecimento: não baseada na busca de respostas externas, mas na descoberta progressiva da inteligibilidade presente na própria experiência. O propósito do processo não é determinar quem a pessoa deve se tornar, mas favorecer o reconhecimento de como sua consciência já está organizada e de que forma essa organização pode expressar-se com maior coerência através do seu svadharma.
Para quem é esta mentoria?
Esta mentoria é destinada a pessoas que já percorreram uma jornada significativa de autoconhecimento, desenvolvimento pessoal ou espiritual e perceberam que compreender conceitos não é o mesmo que compreender a si mesmas.
É voltada para quem sente que padrões recorrentes, conflitos internos, decisões importantes ou momentos de transição revelam algo mais profundo do que simples hábitos, crenças ou comportamentos. Para quem busca clareza sobre a estrutura que organiza sua experiência de vida e deseja compreender com maior profundidade seu propósito, suas motivações e seu modo singular de atuar no mundo.
Profissionais, líderes, terapeutas, pesquisadores, empreendedores, estudantes de tradições contemplativas ou qualquer pessoa comprometida com seu desenvolvimento podem se beneficiar do processo. O elemento comum não é a profissão, mas a disposição para investigar a si mesmo com honestidade, profundidade e rigor.
A mentoria é especialmente adequada para aqueles que procuram integrar vida prática, realização profissional, relacionamentos e espiritualidade em uma visão mais coerente da própria existência, sem depender de fórmulas prontas, crenças dogmáticas ou modelos genéricos de desenvolvimento humano.
Mais do que oferecer respostas, o processo foi concebido para favorecer um reconhecimento progressivo da forma como a consciência se organiza, permitindo maior alinhamento com o próprio svadharma — a expressão autêntica daquilo que cada indivíduo está chamado a manifestar em sua vida.
O único pré-requisito é o comprometimento genuíno com o processo de investigação e reconhecimento. Esta não é uma mentoria para quem busca soluções rápidas, mas para quem está disposto a desenvolver clareza sobre si mesmo e transformar essa clareza em ação consciente no mundo.
Diferenciais da Mentoria
Diferente de abordagens focadas em desempenho, metas ou transformação pessoal, a Mentoria é orientada ao reconhecimento da consciência e da organização da experiência individual. Utilizando o mapa natal como instrumento hermenêutico, o processo revela padrões recorrentes, tensões existenciais e potenciais de realização, promovendo maior clareza, coerência interna e alinhamento com o próprio svadharma. O objetivo não é tornar-se alguém diferente, mas reconhecer com mais profundidade quem se é e como se participa da vida.
O ponto central desta mentoria é o reconhecimento dos padrões que organizam a experiência e a consciência. A transformação não ocorre pela aplicação de fórmulas, técnicas ou modelos externos, mas pelo desenvolvimento de uma compreensão mais clara sobre como cada indivíduo percebe, interpreta e responde à vida. À medida que esse reconhecimento se aprofunda, torna-se possível agir com maior lucidez, coerência e alinhamento com o próprio svadharma, traduzindo esse entendimento em mudanças concretas na forma de viver, decidir e se relacionar com o mundo.
Ao invés de se concentrar apenas na reflexão teórica ou no desenvolvimento isolado de habilidades, a mentoria promove a conexão entre conhecimento, experiência e ação prática. A cada etapa, os participantes são incentivados a transformar suas potências em realizações concretas, tanto no ambiente corporativo quanto em suas trajetórias pessoais.
Utilizando uma abordagem que transcende os modelos lineares de aprendizado, a mentoria foca na expansão das capacidades cognitivas. Isso inclui o aprimoramento da percepção, da intuição e da clareza na tomada de decisões, permitindo um estado de presença mais profundo e uma atuação estratégica mais alinhada com os desafios do mundo contemporâneo.
A metodologia da mentoria está fundamentada em três esferas essenciais que sustentam a experiência de crescimento e desenvolvimento:
- Ambiente e Estrutura → Compreensão do meio institucional e organizacional como um campo dinâmico que pode ser potencializado.
- Consciência do Colaborador → Desenvolvimento do papel ativo do indivíduo dentro de um ecossistema de interações e transformações.
- Satisfação e Potência Criativa → Aprimoramento da relação entre desempenho, prazer e realização, permitindo uma atuação autêntica e significativa.
Ao contrário de modelos que geram dependência de um mentor ou coach, esta mentoria fortalece a capacidade de autogestão. O participante se torna o principal agente da sua evolução, aprendendo a acessar e mobilizar seus próprios recursos internos para navegar com autonomia nos desafios da vida e do trabalho.
Esta abordagem compreende que o crescimento individual se manifesta de forma mais plena quando está alinhado com um contexto coletivo. Assim, o programa promove a harmonia entre desenvolvimento pessoal e impacto no ambiente consciencial, possibilitando um equilíbrio entre autoconhecimento e contribuição social.
Diferente de métodos engessados ou de curto prazo, a Mentoria Orientada às Potencialidades Cognitivas é um processo contínuo, que acompanha a evolução do participante e se adapta às suas necessidades em cada fase da jornada. A experiência não termina com o encerramento do programa – ela se torna uma base sólida para o crescimento contínuo ao longo da vida.
Jayadvaita
Trajetória e Método
Há trajetórias que se desenvolvem linearmente — acumulação progressiva de títulos, certificações, especializações — e há trajetórias que se constroem por ruptura e imersão. A de Jayadvaita pertence à segunda categoria. Aos dezesseis anos, antes de qualquer formação institucional, ele já mapeava os fundamentos filosóficos e espirituais de distintos mestres de forma autodidata — não como curiosidade intelectual, mas como imperativo existencial. O encontro com seu primeiro mestre, aos dezenove anos, amplificou as perguntas antes de fornecer respostas; e foi precisamente nessa abertura — nesse estado em que a dúvida se torna mais fértil que a certeza — que o yoga revelou sua função real: não como sistema de exercícios, mas como epistemologia incorporada.
Entre 2000 e 2010, Jayadvaita viveu como monge numa linhagem da tradição Vedanta. São dez anos que, na contagem externa, podem parecer uma pausa; na arquitetura interna da sua formação, representam o andaime de tudo que viria depois. Mais de onze mil horas de prática meditativa, estudo dos Vedas e Upanishads, e uma relação direta com textos que precedem a categorização ocidental entre "psicologia", "filosofia" e "ciência" — disciplinas que a tradição védica jamais separou porque compreendia que o instrumento de conhecimento e o objeto de conhecimento são, em última análise, a mesma substância. Essa experiência monástica não é um dado biográfico ornamental; ela é a condição de possibilidade do método que Jayadvaita desenvolveria.
Sua formação acadêmica — Linguística com especialização em Línguas Clássicas e Pós-Graduação em Filosofia da Linguagem — acrescenta uma camada que raramente coexiste com profundidade contemplativa: a consciência de que toda transmissão de conhecimento é, antes de qualquer coisa, um fenômeno linguístico. A linguagem não apenas descreve estados de consciência; ela os condiciona, os delimita e, quando mal empregada, os distorce. Jayadvaita pesquisa a linhagem filosófica dos Rshis exatamente porque ali encontra um modelo em que a palavra ainda mantinha sua função originária: não representar a experiência, mas precipitá-la.
Desde 2012, como Diretor de Gestão do Conhecimento na VVY School, orientou mais de quatro mil alunos. O Método MAP — Modelagem de Autoconhecimento e Performance —, desenvolvido desde 2004, é o destilado operacional dessa trajetória: uma estrutura que não ensina sobre consciência, mas que cria as condições para que o praticante acesse, diretamente, os estratos mais profundos de sua própria cognição. Suas obras publicadas — entre elas Astanga-yoga e a Sublime Filosofia de Sankhya (2010), Dimensões do Ser na Experiência Humana (2022) e Respiração Plena (2024) — documentam esse percurso intelectual com rigor que vai além do registro espiritual convencional.
O que distingue a abordagem de Jayadvaita dos modelos contemporâneos de mentoria e coaching é precisamente aquilo que a tradição do yoga compreendeu há milênios e que as ciências cognitivas modernas estão redescobrindo: a cognição não é um processo que ocorre no corpo, mas como corpo. A neurofenomenologia de Francisco Varela e Humberto Maturana — com o conceito de autopoiese — converge com a visão yóguica ao sustentar que o sistema nervoso não processa informação sobre o mundo; ele enacta um mundo, co-cria a realidade percebida a partir de sua própria estrutura. Jayadvaita opera exatamente nessa interface: sua mentoria não instrui o mentorado sobre como pensar de forma diferente, mas trabalha a estrutura perceptiva a partir da qual o pensamento emerge.
O que o mentorado encontra, portanto, não é um especialista que dispensa respostas. Encontra alguém cuja trajetória — do questionamento adolescente ao monastério, do monastério à pesquisa, da pesquisa à transmissão — tornou-se ela mesma um método. Uma presença que, por ter atravessado os estratos mais densos da experiência contemplativa, reconhece no outro os padrões que aprisionam antes que o próprio aprisionado os nomeie.
FAQ — Mentoria Orientada às Potencialidades Cognitivas
A neurofenomenologia ocupa, nesta metodologia, o papel de uma epistemologia do interior: ela oferece o instrumental teórico para correlacionar o que ocorre no campo da experiência subjetiva com os processos cognitivos e bioenergéticos que a sustentam. Desenvolvida originalmente por Francisco Varela e Evan Thompson a partir da fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty, essa abordagem compreende que a consciência é sempre encarnada — inseparável do corpo, do campo perceptivo e do ambiente em que o indivíduo opera.
Na prática da mentoria, isso se traduz em técnicas de refinamento da percepção que treinam o mentorado a observar comosua experiência se estrutura, e não apenas o que ela contém. Esse nível de metacognição aplicada é o que distingue uma transformação superficial — baseada em mudança de hábitos — de uma reorganização genuína da arquitetura experiencial do Ser.
O coaching convencional opera, em grande medida, sobre a superfície do comportamento: define metas, mapeia lacunas de desempenho e propõe estratégias de correção. É uma metodologia funcional para problemas funcionais. A Mentoria Orientada às Potencialidades Cognitivas parte de uma premissa distinta: o desempenho é um efeito, e seu substrato reside na estrutura mesma da consciência do indivíduo.
Ao tomar como ponto de partida os conceitos aristotélicos de enérgeia e dýnamis — ato e potência —, o programa trabalha na camada ontológica anterior à performance: a capacidade latente que precede toda realização. O resultado prático é que o mentorado desenvolve autonomia genuína. Ao contrário de modelos que constroem dependência do facilitador, esta abordagem cultiva a autogestão como condição estrutural do processo, tornando o participante o arquiteto soberano de sua própria evolução.
Em Aristóteles, dýnamis designa aquilo que um ser é capaz de ser, antes que essa capacidade se atualize em forma, ação ou presença. A enérgeia — literalmente "o que está em obra" — é essa mesma potência em movimento, realizando-se. Entre os dois polos existe uma tensão criativa que define o arco do desenvolvimento humano.
As potencialidades cognitivas, nesse sentido, são as capacidades inatas do indivíduo que aguardam condições favoráveis para se manifestar. Elas frequentemente permanecem encoberta por narrativas coletivas interiorizadas — padrões culturais, sistemas de crença ou memórias que funcionam como ruído sobre o sinal original do Ser. A mentoria atua precisamente nesse estrato: criando as condições internas para que o que é apenas possível se torne operativo, concreto e realizador.
O programa se desenvolve em cinco sessões interligadas de aproximadamente 90 minutos cada, concebidas como etapas de um processo progressivo — e não como encontros independentes. Cada fase aprofunda e integra o que a anterior inaugurou:
- Diagnóstico e Mapeamento Inicial — identificação das forças de caráter, padrões cognitivos e configuração energética nas escalas de consciência.
- Refinamento da Consciência — práticas de observação interna, meditação ativa e ressignificação de narrativas limitantes.
- Treinamento Cognitivo e Estratégico — fortalecimento da autoliderança, integridade e identidade criativa aplicada.
- Reestruturação Bioenergética — harmonização do biocampo, ativação dos centros energéticos e decodificação de memórias celulares.
- Integração e Expansão — alinhamento entre mente e campo vibracional para um estado de coerência multidimensional sustentável.
A progressão é deliberada: cada etapa cria o solo para a seguinte, de modo que o processo como um todo gera uma transformação que não se dissolve ao término do programa.
O processo se inicia por uma sessão de pré-avaliação gratuita, com duração equivalente à das sessões regulares. Esse encontro inicial serve a uma dupla função: permite ao mentorado compreender a dinâmica metodológica e ao mentor mapear as especificidades do campo cognitivo e energético de cada pessoa antes de iniciar o ciclo formal.
A mentoria está disponível tanto para quem nunca passou por processos de orientação quanto para profissionais experientes que buscam uma atualização mais profunda — não de competências externas, mas da própria estrutura de consciência a partir da qual operam. O agendamento pode ser realizado diretamente pelo formulário de contato.
Detalhes Práticos
As sessões duram em torno de 75 minutos e podem ser adaptadas ao que for mais conveniente para você. Tenha você já feito outras mentorias, consultorias, terapias ou sessões de coach ou nunca tenha tido qualquer experiência deste tipo, este pode ser o momento de você se abrir ao aspecto mais inovado, leve e elevado de seu Ser integral. Entre em contato, faça uma sessão de pré-avaliação e descubra o seu potencial. A primeira sessão é gratuita.